21.5.08
mentiras
como calar a voz, o corpo, a vida, se tudo que bate no meu peito é assombroso e vibra?
como inventar caminhos, tecer estratégias, se o desejo, a pele, a angústia, que são meus são teus?
um dia eu paro de escrever poemas.
por ora faço assim: digo mentiras.
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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paris
para minha mãe
tenho esta cidade geneticamente pregada na alma revê-la é sorrir contigo, cúmplice, a cidade a abraçar-nos.
e minha súbita alegria é também tua.
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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5.5.08
a cidade
a cidade sobe-me pelos dedos e escreve o poema
canta uma canção ao sol que surge tímido entre as teclas dos acordeons e as torres elevadamente límpidas das igrejas
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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28.4.08
Diria o mar
Não sei como dirias este mar onde o sol de entre as nuvens se absorve em clamores de espuma luminosa N.D.
Diria o mar como um deslimite, um universo onde criaturas voam um bailado de liberdade. Nós as olhamos, feito seres impotentes. Olhamos para cima as ondas que se elevam e despencam.
Netuno tem um reino que divino, mas humano, nos entrega incondicionalmente. Nunca sabemos bem o que fazer com ele, a grandeza a erguer-se ou mergulhar aos nossos olhos pequenos.
Diria o mar como uma imensidão, acima e abaixo dos desertos, das rochas, da terra onde bate incessante e à qual pertencemos tão breves quanto a chama de uma vela.
Silvia Chueire
escrito por Silvia Chueire
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23.4.08
o sol
elevamo-nos solares algum dia, em alguma terra habitada pelas oliveiras.
tinhas as mãos cheias de mim aproximavas teus lábios dos meus cabelos e me dizias tudo, depois depositava-os nos meus ombros.
éramos o sol , a exaltação da vida.
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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14.4.08
há um corpo
há um corpo à tua espera um corpo e um conjunto de signos nas mãos espalmadas a te oferecerem o riso, as avencas na pele, o perfume.
há um corpo, um copo de vinho ao pé da lareira, no silêncio do lume.
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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11.4.08
um sonho
era um sonho leve um sonho xxxxxum pássaro de asas de fogo
era um sonho em combustão suspensos sobre ele xxxxxos corpos marejados
era um sonho leve podia-se carregá-lo com alegria
a um pássaro assim não se cortam xxxxxas asas não se entrega xxxxxà própria sorte
era um pássaroxxxxeste sonho e sua conseqüência em vôo xxxxxa culminar no espaço
éramos nós percebi claramente
xxxxxantes de morrer
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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7.4.08
domingo
domingo os meus olhos dormem de ti as horas andam lentamente sob a chuva
adormecida a urgência o mundo descansa pacífico
- quase não respira -
silvia chueire
domingo
domingo mis ojos se duermen de ti las horas caminan despacio bajo la lluvia
adormecida la urgencia el mundo descansa pacífico
- casi no respira -
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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3.4.08
meu país
meu país era uma alma desolada e funda um corpo esquecido em meio aos tamborins do samba.
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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31.3.08

ao fim do inverno
tomou o tanto na floração das cerejeiras entregou-se ao seppuku
no brilho da lâmina restou sua desonra
sobre as flores fulgia um templo
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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27.3.08
dois poemas curtos
cimitarra
a lua é uma cimitarra rasga o céu sangra no mar
tudo mais é silêncio
silvia chueire
plausível
a sombra da tua ausência a conversar comigo na hora inusitada do dia
como se fosse ela - ou eu? -
a (ir)realidade mais plausível
silvia chueire
escrito por Silvia Chueire
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